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Neste artigo partilho contigo os maiores erros de 2020 no que toca a investir em ações.

Alguns destes erros foram cometidos porque não comprei uma dada empresa quando devia, outros foram porque não vendi as ações no melhor momento.

O objetivo aqui é que possas aprender com os meus erros. Acredito que aprender com os nossos erros é bom, mas aprender com os erros dos outros é ainda melhor!

A lista que vais encontrar a seguir não segue nenhuma ordem específica: umas vezes apresento ações que devia ter comprado, outras que não devia ter vendido, outras que devia ter estudado melhor…

Mas vamos lá…

 

 

1. Zoom Video Communications

A primeira é talvez a mais óbvia!

Quando em março de 2020 as Bolsas começaram a cair por causa do coronavírus e as pessoas começaram a ficar confinadas em casa, foi fácil de perceber o que ia acontecer.

Com tantas pessoas confinadas em casa, cada vez mais reuniões passariam a ser feitas por plataformas de vídeo como a da Zoom. Aliás, eu comecei a ver amigos e familiares que nunca tinham falado do tema a usar a plataforma.

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A Universidade também começou a usar a ferramenta, com centenas de apresentações de doutoramento a serem via Zoom.

Era óbvio que as receitas da empresa iriam aumentar…mas eu perdi o barco!

Por um lado, não sucumbi ao FOMO (“medo de ficar de fora”), que é um dos erros mais comuns dos investidores. Mas por outro, perdi uma valorização de 300% de março a dezembro de 2020.

E foi uma valorização que se justificou!

A empresa tem vindo a dobrar as receitas todos os anos (em 2017 eram cerca de $60M, em 2019 $331M). Em 2020 estas receitas dispararam mais de 300%! E o lucro operacional da empresa aumentou cerca de 30x! Isto em apenas um ano!

Claro que estes resultados foram muito influenciados pelo Grande Confinamento, e que estes níveis de crescimento poderão não vir a repetir-se facilmente no futuro.

Mas a empresa deu provas de que estava aqui para ficar!

No entanto, arrependo-me de não ter feito aquilo que digo a outros para fazer: procurar investimentos a partir de casa!

É só olharmos à nossa volta e encontraremos múltiplas oportunidades!

Perdi uma empresa que triplicou receitas, tornou-se fortemente lucrativa, aumentou margens operacionais, e decuplicou (aumentou 10x) os fluxos de caixa.

Se a empresa continuar a crescer a este ritmo, poderá vir a trazer grandes alegrias para os seus investidores.

Neste momento, resta-me esperar que o preço desça um pouco mais e estudar a empresa com mais profundidade.

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2. Abbvie

Eis um duplo arrependimento!

Já em 2019, quando as ações desta empresa centenária caíram abaixo dos $70 (ou mais de 46% desde o seu pico estabelecido em 26 janeiro de 2018), eu pensei em investir.

Na altura estudei a empresa e percebi que tinha ali uma oportunidade de investimento.

Percebi…mas deixei escapar!

Em 2020 a ação caiu mais de 25% para os $68…e novamente eu deixei escapar!

Enfim, esta é daquelas que se sente mesmo como água a escorrer pelos dedos…

Esta é uma empresa que tem crescido as suas receitas a um ritmo de 9.3%/ano, o lucro operacional 9.8%/ano e o Free Cash Flow (FCF – fluxo de caixa livre) 10.4%/ano nos últimos 10 anos.

Apresenta um ROIC de cerca de 20% e margem líquida de cerca de 20%. Muito bom mesmo!

Mais, a Abbvie adquiriu recentemente a Allergan, criando uma líder nos setores: imunológico, oncologia hematológica, medicina estética, neurociência, entre outros setores da medicina relevantes. Com a adição da Allergan, a Abbvie espera aumentar os seus lucros por ação entre 10% a 20%, e obter lucros operacionais de cerca de $19 biliões.

O melhor de tudo? É considerada uma Dividend King. Apesar de estar cotada de forma independente há poucos anos, é uma spin-off da Abbott Laboratories (uma gigante do setor farmacêutico que vinha a aumentar os dividendos há mais de 50 anos).

Quer dizer que perdi uma Dividend King que paga dividendos crescentes e que esteve abaixo do seu valor intrínseco por 2 vezes no espaço de um ano!

Tive oportunidade de adquirir esta fantástica empresa por um P/E inferior a 20 no início de 2019 e em março/abril de 2020.

Quando se olha para o P/FCF, as conclusões são iguais: esteve barata nestas duas alturas…e eu desperdicei a oportunidade!

Entretanto…a empresa recuperou o seu preço em mercado para valores mais justos.

Terei de aguardar por melhores oportunidade e fazer como o ditado diz: “à terceira é de vez!”

 

 

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3. NVIDIA

Este é um exemplo diferente, pois não tem a ver com uma oportunidade de compra desperdiçada, mas sim de venda!

Eis uma empresa que eu tinha em carteira desde setembro de 2017 e que vendi a totalidade da posição em outubro de 2019 (antes de saber que vinha aí um Crash na Bolsa).

A rentabilidade obtida com esta venda foi mínima… perto de 10% (com dividendos incluídos).

Na altura pareceu-me fazer sentido vender, pois precisava de adaptar a estratégia, diminuir exposição ao setor tecnológico e a Mega-Caps como esta (a NVIDIA valia mais de 100B na altura) e comprar outras empresas que estavam mais atrativas do que esta (que me parecia cara).

Mas no curto prazo tudo pode acontecer; no longo prazo as boas ações mostram o seu valor.

E foi isso que aconteceu com a NVIDIA. Nos dois anos que a mantive em carteira ela pouco cresceu (apesar de, pelo meio, ter quedas expressivas de mais de 30% em 3 ocasiões), mas a médio prazo ela revelou-se uma empresa fantástica, dominante no seu setor, com elevadas barreiras à entrada e preparada para o que aí vem: 5G, veículos autónomos, Internet-of-Things, etc.

Tivesse mantido esta empresa tremenda e o meu ganho seria superior a 200% (excluindo dividendos). Se tivesse reforçado nas quedas então o ganho poderia estar perto dos 300%!!!

Aprendi uma grande lição: as líderes não se vendem assim!

Aliás, é uma opinião partilhada por alguns dos maiores investidores do mundo, como Mohnish Pabrai, que se arrependeu de vender cedo demais a Ferrari, uma líder indiscutível no setor automóvel e que grandes rentabilidades tem trazido aos seus acionistas.

Nota adicional: com uma capitalização bolsista superior a $300B, considero a NVIDIA sobreavaliada.

 

 

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4. Bank of Montreal

Já tenho mostrado o meu gosto pelos investimentos em bancos.

Em 2020 apresentei uma avaliação à Citigroup, que considerei barata por estar a cotar a um P/TBV (preço sobre o valor tangível dos ativos) de 0.6x (o que representava um mínimo de 5 anos).

Comprei algumas ações do banco e já levo um lucro superior a 40% em apenas quatro meses.

Tenho defendido que é um erro financeiro tremendo colocar os nossos investimentos num banco (através de depósitos a prazo que não rendem rigorosamente nada). Mas investir em bancos pode ser dos melhores investimentos que há, quando feito ao preço correto!

Repara, são duas coisas diferentes: uma é deixar os nossos investimentos no banco (potencialmente má decisão), outra é investir num banco (potencialmente boa decisão).

Os bancos são negócios incríveis, com elevadas barreiras à entrada e com um modelo de negócio que gera rendimentos todos os meses (apesar de que pode não gerar rendimentos para os seus clientes, como se tem visto na última década).

Investir em ações de bancos não é assim tão fácil, mas há situações que são demasiado óbvias (e ainda assim eu não as vejo, por vezes).

O Bank of Montreal, cotado no Canadá, atingiu os 56 dólares canadianos (44 dólares americanos) a 23 de março de 2020. Isto representava cerca de metade do dinheiro que o banco tinha em caixa! O banco tinha cerca de CAD100 (ou USD 80) de cash-per-share (“dinheiro-por-ação”). Inacreditável!

É inimaginável ver as ações de um banco com dois séculos de história a oferecer tanto valor!

Quando vês uma situação destas, compra-se logo as ações: é incrível ver ações a metade do valor do dinheiro que uma empresa tem em caixa! Significa que poderias comprar a totalidade do banco naquele momento por cerca de 30 biliões e tinhas lá dentro um cofre com o dobro do dinheiro. É uma pechincha inexplicável!

Mais inacreditável ainda é ter deixado escapar uma oportunidade rara destas!

Claro que as ações já recuperaram para valores pré-Covid e agora estão razoavelmente precificadas.

Este foi dos erros mais dolorosos. Se Benjamin Graham, professor de Warren Buffett que adorava encontrar empresas a cotar abaixo da quantidade de dinheiro em caixa, tivesse visto esta oportunidade, é bem provável que me tivesse dado uma chapada por não ter investido!

E eu bem que a merecia!

Lição aprendida!

 

5. Companhias aéreas

Quando se viu as ações das companhias aéreas a derreter mais de 60% em menos de um mês, o pânico estava instalado!

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Nota: repara na queda entre 12 de fevereiro e 19 de março superior a 60%. Foi das quedas mais rápidas da História Financeira! Este ETF representa as ações de companhias aéreas.

 

 

Os media encheram-nos de notícias de complicações severas para a indústria da aviação. Nunca, em mais de 100 anos de história da indústria, se tinha visto tantos aviões estacionados em terra.

Prejuízos avultadíssimos para as companhias aéreas!

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Claro que ninguém gostou do que estava a ver. Afinal, a maioria das companhias aéreas opera num negócio extremamente difícil para manter, quanto mais para gerar lucros.

Imagine-se estar num negócio difícil com os aviões todos parados em terra. Uma hecatombe!

As empresas que chegaram à Pandemia mais endividadas sofreram ainda mais. Com aviões em terra, não há como gerar receitas!

Warren Buffett vendeu a totalidade da sua posição nas companhias aéreas que detinha, com perdas superiores a 60%!

Foi um pesadelo para as companhias aéreas e as ações começaram a cair a pique.

Mas eu tentei olhar para a situação de outro ângulo…e apanhar algumas dessas quedas.

Fui bem-sucedido numas e noutras nem por isso.

A verdade é que em investimento é preciso olhar a longo prazo e deixar de lado as notícias negativas que, no curto prazo, possam impactar os negócios.

Em março de 2020 eu só pensava que as pessoas não iriam deixar de viajar no futuro.

A Humanidade adora conhecer outras culturas noutros países e não vai deixar que uma pandemia lhe negue essa possibilidade.

Mais, a população humana não pára de aumentar no Globo! Somos quase 8 biliões de pessoas no planeta Terra e só tem tendência para aumentar mais.

Para além disso, cada vez mais pessoas passam da classe pobre para a classe média, e da classe média para a classe rica. Isto quer dizer que cada vez mais pessoas têm poder de compra que lhes permita viajar. Mais uma tendência em amplo crescimento!

Esta informação é pública, disponibilizada e atualizada anualmente pela maior agência do mundo ligada ao Turismo: a Organização Mundial do Turismo. Podes ver aqui centenas de relatórios que comprovam o que estou a projetar para o futuro.

Claro que o turismo foi o setor mais prejudicado em 2020, tendo caído 70% para níveis da década de 90!

Mas o turismo sempre recupera das crises e a aviação iria acompanhar essa recuperação.

Só que, na ânsia de apanhar o que outros investidores estavam a largar, eu entrei em más empresas.

Investi na American Airlines, que apesar de ser a companhia aérea norte-americana com maior número de passageiros, era a mais mal gerida do ponto de vista financeiro. Consegui vender as suas ações no fim de 2020 com uma perda de 10%, o que não é mau para esta posição que tinha tudo para correr horrivelmente.

Também entrei no capital da Delta Air Lines, uma companhia com um balanço financeiro melhor.

Nesta vou com um ganho superior a 50%, o que não é nada mau, dados todos os impactos na indústria.

Claro que estas posições eram pequeniníssimas no meu portefólio. Eram muito arriscadas face à situação que se viveu e por isso cada uma delas representava menos de 1% do meu portefólio. Ainda assim, umas com perdas mínimas, outras com ganhos consideráveis.

Mas havia empresas de aviação que ofereceram melhor oportunidade e eu não vi a tempo. Empresas como a Ryannair e a Easyjet, com melhores balanços financeiros do que estas americanas. Mesmo operando num segmento diferente (são low-costs) estas empresas tinham dinheiro em caixa suficiente para aguentar mais de um ano com os aviões em terra. Inacreditável!

Qualquer que seja a companhia aérea de que se esteja a falar, o que interessa acima de tudo é o preço que se paga por ela. Numas tive mais sorte do que noutras, pois comprei as suas ações a um preço mais adequado.

Por vezes é assim, as empresas podem parecer moribundas, mas o pessimismo já está de tal forma implícito no preço das ações que a oportunidade de investimento revela-se oportuna (para quem aguentar bem as oscilações de curto prazo e não sofrer do coração!)

Aliás, como Howard Marks diz, uma excelente empresa não reflete necessariamente um excelente investimento…já uma empresa em dificuldades pode representar um ótimo investimento se feito ao preço certo!

E para mim foi isto que aconteceu em 2020: vários setores altamente prejudicados (aviação, turismo, navegação, restauração, energia, …) onde muitas empresas viram as suas ações cair para níveis que gritam oportunidade: é só uma questão de estarmos atentos e ter a força para as aguentar até o futuro se revelar mais risonho.

Comecei 2020 sem exposição nenhuma ao setor do turismo. Acabei o ano com a carteira de investimentos exposta ao setor em cerca de 10%. Entre empresas de aviação, náutica, hotelaria, hospitalidade e agências de turismo online (OTAs – Online Travel Agencies), o meu portefólio ficou mais exposto a um setor que domino e tenderá a crescer no futuro.

Porque digo que domino? Porque o meu doutoramento foi feito na área do ecoturismo (podes ver alguns dos trabalhos publicados aqui), porque estudo o setor a fundo desde 2012 e porque colaboro com empresas de turismo portuguesas desde 2015.

Tal como Warren Buffett diz, um bom princípio de investimento é investir dentro do nosso círculo de competência. Ou seja, investir no que nós conhecemos.

 

 

Espero que ao partilhar estes erros que cometi em 2020 te possa ajudar a tomar melhores decisões de investimento. Como disse no início, acredito mesmo que se aprende imenso com os erros dos outros.

E, acima de tudo, espero que possas evitar cometer erros de investimento deste género.

Em investimento, é muito importante aprendermos com os erros e corrigi-los rapidamente. Assim avançamos mais confiantes e cientes de que tomaremos melhores decisões no futuro.

Saudações lucrativas,

Frederico

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