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Apresento-te um Guia com 5 passos para compreenderes o mundo dos ETFs.

Espero que te seja extremamente útil e te ajude a considerares este veículo de investimento.

 

1. O que é um ETF?

ETF significa Exchange-Traded Fund.

À semelhança de um fundo, um ETF é composto por um conjunto de ativos e negoceia num mercado regulado, tal como as ações. Permite estar exposto a um conjunto de ativos diferentes, desde ações a obrigações, passando pelo imobiliário, as mercadorias (como o ouro, prata, cereais, etc.) e derivados.

Nota: se tiveres interesse em ver os vários tipos de ativos a que um ETF pode estar exposto, podes ler estes dois artigos sobre vários ativos financeiros: 10 tipos de investimentos e Mais 10 ativos financeiros onde investir dinheiro.

Um ETF replica o comportamento de um índice, como o S&P500 (que agrega cerca de 500 das maiores empresas dos EUA). Nesse índice é considerada uma ponderação: a APPLE tem um peso diferente da Microsoft, que tem um peso diferente da VISA, que tem um peso diferente da Amazon, e por aí fora. É por isso que às vezes pode haver 10 ações a cair no índice, mas uma com maior peso no índice está a subir e arrasta o índice para cima. De qualquer das formas, compramos todas as ações que constituem esse cabaz (o índice) e distribuímos o nosso dinheiro com a ponderação que cada ação tem no índice.

É claro que poderíamos replicar um índice por nós mesmos, comprando todas as ações desse índice e na proporção devida. Mas imaginem o que é comprar ações da Google a $1428, da Amazon a $2456, da Berkshire Hathaway Class A a $275.590 (sim, é mesmo este o preço da ação à data que escrevo este artigo!). Isto seria incomportável para a maioria das pessoas. Mas quem queira estar exposto a estas grandes empresas, a única forma de o conseguir pode ser através de um ETF que replique o S&P500.

Em resumo, o ETF replica o comportamento do índice subjacente – é uma gestão passiva. O Fundo de gestão passiva já ponderou o peso de cada empresa no Fundo. Nós comprámos uma fatia desse bolo, digamos assim.

Compra-se ETFs como se fossem ações. Podes fazê-lo a partir de um Banco de Investimento ou de uma Corretora. Lembra-te: quando estás a comprar um ETF não estás a comprar diretamente os ativos que ele detém (por exemplo a ação X ou Y), mas sim participações nesse Fundo, que detém esses ativos por ti.

Os ETFs, enquanto Fundos de gestão passiva, são imitidos por Bancos e Sociedades Gestoras (como a Vanguard, a Blackrock, ou a Amundi). Isto oferece uma elevada confiança no produto. Aliás, deverás sempre procurar um ETF de uma sociedade grande, credível e regulada.

O risco de investir em ETFs implica os mesmos riscos de investir em ações ou de investir diretamente nos seus ativos subjacentes. Se as ações que o ETF tem no cabaz caírem, o ETF cai na mesma proporção. Se o metal precioso a que o ETF está exposto cair, o seu ETF que o replica também cai na mesma proporção.

 

 

2. Tipos de ETFs

Existem inúmeros tipos de ETFs onde investir. Aliás, existem ETFs para todos os gostos, tamanhos e feitios. Ligados a tudo e mais alguma coisa que possas pensar. Existem ETFs:

  • Setoriais: O benchmark pode ser, por exemplo, do setor tecnológico, e o ETF contém apenas ações de empresas ligadas a este setor.
  • Geográficos: Investem numa determinada região, estando expostos, por exemplo, somente à região asiática.
  • de Obrigações: Podem estar expostos a Obrigações Estatais (mais seguras, mas com menor volatilidade) ou de Empresas (menos seguras, mas com maior volatilidade).
  • Temáticos: Estão ligados a certos setores específicos, como, por exemplo, as energias renováveis, ou eletrificação do setor automóvel, ou a construção imobiliária, ou à aviação, podendo conter no cabaz ações, obrigações, ou outros ativos de exposição a esse tema.

 

 

3. Vantagens dos ETFs.

Existem diversas vantagens em investir num ETF. Vamos ver quais são:

  • Excelente opção para quem se está a iniciar neste mundo dos investimentos: as pessoas não têm de se preocupar em escolher os ativos que mais poderão rentabilizar; essa gestão é feita automaticamente.
  • Possibilidade de investir com pouco tempo: como a gestão é passiva e o dinheiro está a ser alocado automaticamente naquele índice, as pessoas que não têm tempo para estudar ativos financeiros encontram aqui uma tremenda vantagem.
  • Diversificação a baixo custo: apresentam comissões extremamente baixas (de 0.02% a 0.4%), ao contrário dos Fundos (cujas comissões podem chegar aos 3% ou 4%).
  • Gestão passiva: se uma ou duas ações saem do índice (porque faliram ou não cumprem os critérios mínimos para pertencer a esse índice), não tem tanto impacto no nosso investimento, pois o índice colocará lá uma outra empresa suficientemente grande e líquida e que cumpra os critérios mínimos. Por exemplo, se a Apple falisse e saísse do S&P500, iria entrar uma outra empresa X, mais cedo ou mais tarde, para cobrir essa falha. Isto garante uma diversificação ótima ao longo do tempo.
  • Reinvestimento automático dos dividendos em alguns ETFs: isto acontece nos ETFs de acumulação (costumam ser identificados com um ACC no nome do ETF).
  • Impossível obter pior desempenho do que o índice replicado: o retorno é muito próximo do índice que está a replicar (há um pequeníssimo desvio-padrão, mas praticamente insignificante). Claro que ao retirarmos os impostos sobre as mais-valias (que acontecem apenas e só quando vendes esse ETF) diminuímos ligeiramente o retorno face ao índice replicado, mas aqui não há nada a fazer (a não ser que fujas aos impostos, algo que não aconselho de todo!)
  • Tributação dos dividendos no país de origem: como a maioria dos ETFs está cotado em Bolsas nos EUA, os dividendos são tributados a uma taxa mais atrativa. No caso dos EUA a tributação sobre dividendos é de 15%, comparado com a tributação em Portugal de 28%.

 

 

4. Desvantagens

Como o mundo não é feito só de vantagens, também existem algumas desvantagens. A considerar:

  • Impossibilidade de escolher as ações em que queremos investir: como a gestão é passiva, o ETF replica o que acontece no índice. Não podes (nem o teu gestor de conta) escolher os melhores ativos a investir num dado momento.
  • Questões éticas ou de moral: pode haver determinados setores em que não queres investir porque os teus ideais assim não te permitem. Por exemplo eu não invisto em ações ligadas ao setor petrolífero, mineiro ou madeireiro, por muito baratas que possam estar num dado momento e por muito altas que sejam as futuras rentabilidades.
  • Impossível bater o índice se estás com exposição a esse índice: o teu desempenho replicará o desempenho do índice.
  • Impossibilidade de receber os dividendos diretamente em alguns ETFs: nos ETFs de Acumulação não há direito a distribuição de dividendos pagos pelas empresas que o índice replica. Os dividendos são totalmente reinvestidos no ETF e, assim, aumentam o poder do Juro Composto (multiplicação do capital). No entanto, os ETFs de Distribuição distribuem dividendos (numa base trimestral, semestral ou anual). Mas lembra-te, o ideal é reinvestir os dividendos para aumentar o efeito dos Juros Compostos e acelerares o teu caminho para a Liberdade Financeira.

 

5. Diferenças entre um ETF e um Fundo de Investimento tradicional

Existem algumas diferenças a considerar entre um Fundo de Gestão Ativa e um ETF (gestão passiva):

  • Possibilidade de transação a qualquer momento: pode-se comprar ou vender um ETF em qualquer momento da sessão. Os Fundos tradicionais normalmente negoceiam apenas uma vez ao dia. Por isso, o valor líquido do Fundo tradicional costuma ser o valor de fecho do mercado nesse dia.
  • Liquidez dos ETFs é superior: como negoceiam a qualquer momento durante uma sessão normal de Bolsa, a liquidez dos ETFs costuma ser maior que nos Fundos.
  • Gestão Passiva: o ETF tem uma gestão passiva, pelo que replica exatamente o índice a que está exposto. Pelo contrário, nos Fundos há uma gestão ativa. Existe um gestor que escolhe os ativos que entram ou saem num dado momento. Diversos estudam mostram que mais de 90% dos Fundos com gestão ativa têm uma rentabilidade inferior aos índices que replicam. Isto acontece sobretudo porque os gestores desses Fundos estão sempre a movimentar os ativos (sempre a comprar e vender no espaço de semanas ou meses), não os deixam valorizar com o tempo (a longo prazo) e acabam por acrescentar comissões de transação que nos vão comendo parte do nosso capital.
  • Comissões: os custos de gestão num ETF são menores (entre os 0.02% e os 0.4%). Um comissionamento reduzido ajuda-te a capitalizar mais as tuas poupanças. Ajuda-te a aumentar o poder do Juro Composto. Pelo contrário, os Fundos tradicionais apresentam comissões fixas e muitas vezes comissões em percentagens do montante negociado. Apresentam comissões sobre dividendos (cuidado com isto, é um roubo! A empresa distribuiu o dividendo a ti, acionista, os Fundos não deveriam cobrar-te parte desse dividendo; ele é teu por direito!). Apresentam comissões de Guarda de Títulos. Comissões de gestão. Comissões de inatividade. Custos e mais custos que vão comendo os teus rendimentos ao longo do tempo.

Apresentei-te 5 passos para compreenderes um ETF.

A esta altura já te posso ouvir a perguntar: “mas como escolher um ETF para investir?”. Respondo-te a essa pergunta noutro artigo (carrega aqui para acederes ao artigo).

 

Espero que este Guia sobre ETFs te tenha sido extremamente útil.

 

Saudações lucrativas,

Frederico Santarém