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BEAR MARKET

 

Bear Market – o que é?

É um período no qual o preço de um ativo desce continuamente desde o seu último máximo atingido anteriormente.

O termo pode ser aplicado a qualquer ativo, incluindo ações, obrigações, mercado imobiliário, moedas e commodities (mercadorias). Mas é mais utilizado para os mercados acionistas.

Um Bear Market ocorre sobretudo quando o preço das ações desce mais de 20% desde o último máximo atingido.

 

 

Origem do termo

Bear” advém de urso, porque o urso, ao contrário do touro, ataca de cima para baixo. Este movimento descendente do animal é também o que caracteriza os mercados financeiros quando um ativo desce; desce tal e qual um urso faz com as suas garras para atacar. O urso, quando ataca, causa estragos…tanto na natureza como nos mercados acionistas!

Como se caracteriza um Bear Market?

Bear markets (mercados-urso) são caracterizados por um pessimismo generalizado, uma confiança abalada na generalidade dos investidores, e uma crença de que os maus resultados das empresas e a economia no geral continuarão em situação delicada por longos períodos de tempo.

Geralmente ocorrem quando a economia começa a mostrar sinais de fraqueza e quando já há sinais de recessão à vista. Costumam acompanhar uma diminuição generalizada do Produto Interno Bruto (PIB; Gross Domestic Product – GDP em inglês) e um aumento dos números do desemprego. As empresas começam a reportar piores resultados, o que tende a diminuir o valor das suas cotações.

Como a confiança dos investidores diminui por as empresas estarem a reportar maus resultados e o panorama geral da economia apresentar-se desfavorável, a demanda por ações diminui, os investidores retiram dinheiro do mercado acionista, o que puxa o valor dos ativos ainda mais para baixo.

O número de Ofertas Públicas Iniciais (IPO; processo em que uma empresa nova dispersa parte do seu capital numa Bolsa) tende a diminuir consideravelmente durante este período.

 

 

Dez Exemplos dos Maiores Bear Markets da História

1. Grande Depressão (setembro 1929 – junho 1932): S&P500 perdeu cerca de 86% do seu valor em quase quatro anos. Ouch!

Estes foram os quatro anos mais depressivos da História recente. Durante este período, centenas de empresas fecharam, milhões de pessoas vieram para a rua por todo o mundo, os níveis de desemprego atingiram recordes absolutos e o PIB de alguns países caiu para valores nunca antes vistos.

A 29 de outubro de 1929 ocorre um Crash na Bolsa, num dia que ficou conhecido como a Terça-Feira Negra.

O PIB mundial caiu 15% em três anos. Para comparação, o PIB mundial caiu somente 1% durante o período da Grande Recessão de 2008-2009…e olha os estragos que causou!

O desemprego nos EUA atingiu valores recorde na ordem dos 25%; noutros países chega a ser de 35%.

 

 

2. Recessão de Inventários (março 1946 – junho 1949): S&P500 perdeu 30%.

Após a Guerra, as pessoas cortaram nos gastos e aumentaram consideravelmente as suas poupanças. As empresas não conseguiram vender tanto por as pessoas cessarem os gastos, o que levou a uma micro-recessão.

 

 

3.Canal do Suez (agosto 1956 – outubro 1957): S&P perdeu cerca de 22% devido a vários fatores.

Este período fica marcado pela crise no Canal do Suez no Egipto.

O Banco Central dos EUA também tinha aumentado as taxas de juro diretórias, pelo que ficou mais caro para as empresas pedirem dinheiro emprestado. O custo de pedir dinheiro emprestado para fazer crescer os negócios havia ficado insuportável.

E houve ainda uma invasão por parte da União Soviética à Hungria.

 

 

4. Guerra Fria (dezembro 1961 – junho 1962): S&P500 desce cerca de 28%.

Este período é caracterizado pela Guerra Fria que decorria entre os EUA e a ex-União Soviética.

As ações estavam sobreavaliadas, pois o mercado acionista havia subido demasiado depressa. Os lucros das empresas e os dividendos por elas pagos não subiam na mesma proporção que as ações, o que causou uma bolha que tinha de estourar.

 

 

5. Guerra do Vietname (novembro 1968 – maio 1970): S&P 500 perdeu 38%.

Esta é uma altura em que a Guerra do Vietname parecia não correr como os EUA previam.

 

Martin Luther King Jr. E Robert Kennedy são assassinados durante este período.

 

Uma instabilidade económica e uma inflação elevada levaram a uma micro-recessão.

 

 

6. Nifty Fifty (janeiro 1973 – outubro 1974): S&P 500 perdeu praticamente 48%.

Conhecidos como o grupo das maiores empresas americanas com crescimento mais acelerado da época (incluía McDonald’s, Polaroid, Walt Disney e IBM), as ações deste grupo encontravam-se sobreavaliadas em níveis insustentáveis.

Os investidores acreditavam que estas empresas eram tão bons investimentos que qualquer preço justificava a sua compra, mesmo que todos os indicadores apontassem para uma sobre-avaliação.

Pese embora o grande potencial de crescimento e estabilidade dos lucros destas empresas, as avaliações encontravam-se demasiado puxadas e só tinham um caminho a seguir – o da queda!

 

 

6. Choque Volcker (novembro 1980 – agosto 1982): S&P 500 retrai 27%.

Após a Crise do Petróleo que caracterizou a década de 70 e uma inflação bastante elevada, o presidente da Reserva Federal Americana Paul Volcker aumentou as taxas de juro diretoras para 20%.

Os preços dispararam, ficou mais caro pedir dinheiro emprestado e as empresas não conseguiram crescer tanto. Começaram a vender menos, as pessoas começaram a comprar menos produtos e serviços, levando a uma recessão.

 

 

7. Segunda-feira Negra (agosto de 1987 – dezembro de 1987): o S&P 500 perde 34%.

Tudo começa a 19 de outubro de 1987, quando o índice Dow Jones Industrial Average (um índice que agrega 30 das maiores empresas dos EUA) perde 22.6% num só dia.

 

Este período é caracterizado pela negociação computorizada de ações, algo recente na época e que criou uma mini-crise de liquidez. Muitos fundos de investimento que haviam adotado esta nova forma de negociar ações, começaram a vender de forma mecânica e insensível ao valor diversas ações. Gestoras de patrimónios, fundos de pensões, bancos de investimento…ninguém escapou!

Operações de arbitragem sobre os índices acionistas fizeram com que os computadores começassem a processar ordens automáticas de venda, puxando as ações cada vez mais para baixo, num efeito bola de neve que ninguém conseguiu travar naquele dia.

A verdade é que os mercados continuaram a cair durante mais uns meses.

Se tens interesse por estes eventos únicos na História da Bolsa de Valores, aconselho-te o livro de Tim Metz de 1988 chamado Black Monday.

 

 

8. Bolha Dot-Com (março 2000 – outubro 2002): o S&P 500 perde cerca de 49%.

Com um crescimento económico robusto e uma inflação estabilizada, e com os investidores a verem um enorme potencial na internet, milhões e milhões foram investidos nas chamadas ações “dot-com”. Isto viria a conduzir a um dos Bear Markets mais severos da História Moderna.

O próprio presidente da Reserva Federal Americana, Alan Greenspan, apelidou este período de “exuberância irracional”, pois os preços das ações não justificavam o valor das empresas.

Uma empresa que tivesse .com no seu nome era logo avaliada até à estratosfera, fazendo os investidores acreditar que aquela empresa seria mais uma a ditar o futuro.

Havia empresas a serem criadas numa semana para serem cotadas em Bolsa na semana seguinte, sem vendas, sem lucros, sem nada palpável.

O futuro ditou uma realidade bem mais dura: quando os preços das ações estão tão esticados e não correspondem ao valor real das empresas, só há um caminho que sobra: o da queda!

Por exemplo, a Amazon.com chegou a cair mais de 90% em dois anos! Quem investiu na Amazon.com no pico da bolha ficou sem retornos durante uma década! Foram precisos mais de dez anos para o preço da ação recuperar!

 

 

9. Bolha Imobiliária e Grande Recessão (outubro 2007 – março 2009): o S&P 500 perdeu 57%.

Auxiliado pelas reduzidas taxas de juro impostas pela Reserva Federal, há um incentivo ao consumo e o período fica marcado por uma alavancagem excessiva.

As hipotecas subprime permitiram a muita gente comprar casas com recurso a créditos que jamais conseguiriam pagar, não oferecendo nenhuma garantia aos bancos que emprestavam dinheiro. Havia bancos a conceder créditos sobre casas de luxo (avaliadas em milhões) a pessoas que ganhavam uns poucos milhares de anos por ano.

Os valores das casas não paravam de subir até 2007.

Quando os preços das casas por fim começaram a cair, as empresas que emprestavam dinheiro (incluindo bancos) começaram a falir em massa.

Alguns bancos de Investimento (Bear Stearns e Lehman Brothers) que haviam subscrito alguns dos créditos subprime mais arriscados, acabariam por sofrer perdas pesadíssimas e colapsaram.

 

A crise afetou praticamente o mundo todo, com

Seguiu-se uma das maiores crises financeiras de que há memória desde a Grande Depressão, com taxas de desemprego a chegarem a níveis semelhantes aos da Grande Depressão dos anos 30, com empresas a entrar em bancarrota e com os consumidores a gastarem cada vez menos.

Pagou-se um preço muito elevado por um comportamento de risco incalculado por parte de alguns dos maiores gestores de ativos do mundo.

A crise afetou praticamente o mundo todo, com repercussões que, em alguns casos, ainda duram nos dias de hoje.

 

 

10. O Grande Confinamento

Tudo corria bem até ao início de 2020, quando um novo vírus (SARS-CoV-2) se espalhou pelo mundo a um ritmo alarmante. Um pouco por todo o mundo, os governos reagiram rapidamente, fechando praticamente todos os setores da economia.

Esta paralisação sem precedentes da economia teve consequências gravosas. É que uma coisa é vender menos, outra coisa é não vender.

Milhares de empresas fecharam por todo o mundo, milhões de pessoas ficaram desempregadas e os impactos fizeram-se sentir muito rapidamente nas Bolsas. Em apenas 19 sessões de negociação, o principal índice norte-americano, o S&P500, perdeu mais de 30% do seu valor.
Este foi considerado o Bear Market mais rápido de sempre.

As reais consequências deste período que ficou conhecido como o Grande Confinamento ainda estão por compreender na totalidade…mas as consequências são severas.

 

 

 

Como tirar proveito de um Bear Market

Para rentabilizares bem o teu capital, seria ótimo conseguir identificar o início de um Bull Market. Ou o último dia de um Bear Market.

Claro que é impossível saber quando será o último dia em que os mercados estão a cair e quando será o primeiro dia após o qual os mercados começarão a subir novamente.

Em média, os Bear Markets não duram mais de 12 meses.

Em média, os Bear Markets acontecem a cada 5 a 7 anos. É saudável ter Bear Markets, para eliminar empresas que são tóxicas para a sociedade (não produzem nada útil para a sociedade, mas queimam o dinheiro aos investidores constantemente).

Os piores Bear Markets (1929 e 2009) tiveram uma queda excecional de 87% e 57%.

Mas estas são situações excecionais, que acontecem uma vez num século, e nas quais podes ganhar muito, mas mesmo muito dinheiro… se tiveres a destreza para investir mais agressivamente quando os mercados estão em queda, quando o preço dos ativos entra em saldo.

Investidores como Warren Buffett, Howard Marks, David Eihorn, Seth Klarman, entre outros super-investidores da escola do Value Investing sabem aproveitar estes períodos de depressão.

Por exemplo, em 2009 as ações dos bancos foram de tal forma castigadas pelos investidores que havia algumas, como as ações do Citigroup, que custavam menos do que o valor a pagar por levantar dinheiro nos seus ATMs. Já imaginaste o que é pagar menos por uma ação de um banco do que o valor que tens de pagar pelo privilégio de levantar dinheiro nas suas caixas-multibanco? É surreal.

Tal como Howard Marks diz “O que o homem sábio faz no início, o tolo faz no fim”. Em 2008, Howard Marks chegou a investir 500 milhões de dólares por semana durante três meses seguidos.

Seria Howard Marks um louco? Não! Apenas já tinha passado por vários bear markets e sabia que o sentimento que imperava na altura era negativo, mas que mais cedo ou mais tarde a situação iria melhorar. E foi isso mesmo que aconteceu a partir de março de 2009.

Na mesma altura, Warren Buffett dizia: “sou ganancioso a comprar quando os outros estão com medo e tenho medo quando os outros são gananciosos”. Uma frase que foi altamente contestada na altura (disseram que o Homem tinha ficado louco) e que se tornou icónica anos mais tarde. Também Warren tinha razão.

 

 

Agora que já sabes o que representam Bear Markets e qual a durabilidade média de cada um, consegues antever o que um investidor inteligente faz: investe mais agressivamente durante um Bear Market, quando toda a gente está a vender e as ações ficam a preço de saldo e investe cautelosamente durante um Bull Market.

De qualquer das formas, super-investidores como Warren Buffett, Howard Marks, David Eihorn, Seth Klarman, Joel Greenblatt, etc. nunca deixam de investir, seja qual for o momento em que nos encontramos nos mercados.

E porquê? Porque há sempre grandes oportunidades à espera de quem as procura.

Naturalmente, nas fases finais de um Bull Market poderá ser mais difícil encontrar oportunidades, quando as ações estão muito puxadas para cima.

Contrariamente, durante um Bear Market é quando surgem mais oportunidades, pois muitas empresas veem as suas ações caírem para valores que são considerados preço de saldo.

 

Saudações lucrativas!