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A Raize apresentou novos preçários e isso gerou descontentamento entre os investidores.

 

A plataforma de investimentos coletivos Raize enviou um email no dia 2 de novembro a dar informação de uma série de tópicos, como a Nova Regulação Europeia para o Crowdfunding, os novos Seguros para Particulares e Empresas que vão oferecer brevemente, e o Novo Preçário a aplicar.

De entre estas novas informações, as alterações ao Preçário foram as que suscitaram maior interesse…e não pelos melhores motivos.

Foi implementado um novo custo, uma “success fee” (Taxa de Desempenho) que variará de 10% a 12%.

Pessoalmente também não fiquei muito satisfeito. E quero apresentar-te aqui os vários pontos que nos fazem repensar a situação de investimento na Raize.

 

 

1. Comunicação unilateral das alterações

A Raize optou por comunicar aos investidores as alterações aos preçários de forma unilateral.

Decidiram, está decidido.

Pior, fizeram-no com uma margem de tempo muito diminuta para que os investidores possam pensar.

Começaram a enviar e-mails no dia 30 de outubro de 2020 a informar de alterações que acontecerão a 15 de novembro de 2020.

Desconfio da legalidade desta decisão, dado que num contrato normalmente são precisos 30 dias para aceitar ou negar uma alteração ao contrato. Mas não sou jurista, não me vou pronunciar sobre esta matéria.

A Raize optou por informar que no espaço de 15 dias essas alterações tomariam efeito, o que apanhou muitos investidores desprevenidos.

 

2. Comunicação a dois tempos

Como se isto não bastasse, a Raize foi enviando emails às pessoas ao longo de 4 ou 5 dias.

Enquanto que uns investidores foram informados das novas alterações a 30 de outubro, outros só receberam e-mail a 2 de novembro (o meu caso), ou mais tarde.

Nenhuma ilegalidade aqui, mas ajudou a gerar a revolta que vamos ver a seguir.

 

3. Revolta entre os investidores

Os investidores não gostaram desta decisão da Raize e as reações começaram a fazer-se sentir logo no dia 30 de outubro.

No grupo de Facebook dos investidores da Raize, as reações negativas são às centenas.

Impera um sentimento de deslealdade, de insatisfação, de revolta…

Nas plataformas de revisões como a TrustPilot também se sente o descontentamento.

As revisões são na generalidade negativas e a empresa passou de uma avaliação de 4 estrelas para 1.6 estrelas.

O pior de tudo: alguns investidores estão a abandonar a plataforma, vendendo todos os seus empréstimos no Mercado de Cessões (ainda que o façam com perdas financeiras).

No final de outubro o Mercado de Cessões tinha 9 páginas.

No início de novembro passou a ter 43 páginas.

Um aumento muito significativo!

Os investidores não gostaram mesmo nada desta alteração de preçário e saíram em debandada.

Mas quero colocar as coisas em perspetiva.

 

4. As implicações dos novos custos

A Raize oferece agora 3 Planos de investimento.

No plano START, o investidor não tem qualquer custo, pois não tem saldo na conta nem fez nenhum empréstimo ou depósito bancário.

No plano ACCESS temos os investidores que fazem empréstimos ocasionalmente. São normalmente pessoas que não têm o Tracker ativo (que faz empréstimos automáticos) ou que fizeram menos de 10 empréstimos nos últimos 30 dias.

No plano INVEST temos os investidores que fazem empréstimos frequentemente. São normalmente pessoas que têm o Tracker ativo ou que fizeram mais de 10 empréstimos nos últimos 30 dias.

E foi para estes 2 últimos planos que as diferenças se fizeram sentir mais.

Quem tiver o plano INVEST pode contar com uma nova Taxa sobre os Ganhos de 10%.

E quem tiver no plano ACCESS vai contar com uma taxa de 12% sobre os ganhos.

Isto implica menor rentabilidade sobre os empréstimos que fazemos na plataforma do que tínhamos até novembro de 2020.

 

Muitos pensam que isso é muito mau, e eu percebo o seu lado.

Já não basta os impostos sobre mais-valias (que em Portugal são de 28%), agora foi adicionada uma taxa extra sobre os juros brutos dos empréstimos a receber.

O pior disto é que o risco manteve-se igual.

Ao investir em empréstimos coletivos, o risco fica do lado do investidor, enquanto que os ganhos ficam maioritariamente do lado da plataforma.

Mas nem tudo é tão mau quanto dizem.

 

Muitas plataformas de P2P têm taxas deste género.

Algumas, não só têm taxas escondidas, como têm estruturas opacas, que suscitam muitas dúvidas quanto à sua legalidade.

Pelo contrário, a Raize tem uma estrutura completamente transparente, é regulada pela CMVM e tem licença de operação em Portugal.

Caso aconteça algo de muito grave ao nosso dinheiro, nós temos a quem recorrer: à CMVM.

Com outras plataformas de P2P, não temos essa possibilidade, pois não estão reguladas cá em Portugal.

O risco da Raize é, assim, menor do que noutras plataformas.

Para além disso, na Raize conseguimos ver perfeitamente a quem estamos a emprestar dinheiro.

Conseguimos estudar e selecionar as empresas onde queremos investir, o que pode aumentar a nossa rentabilidade (quando bem feito).

 

Ou seja, a regulação da plataforma continua a dar tranquilidade aos investidores, mesmo apesar dos custos agora serem superiores ao que eram.

Ainda assim, 10% a menos num empréstimo cujo juro bruto é de 6%, não faz tanta diferença quanto se possa pensar à primeira vista.

É menor, mas a diferença não é assim tão substancial.

De qualquer forma, volto a dizer: investir em P2P apresenta riscos e podemos perder a totalidade do nosso dinheiro.

 

5. Um e-mail que me deixou muito triste

Como muitas pessoas me mandaram mensagens para esclarecer esta nova situação, reuni todas as perguntas num e-mail e enviei ao Suporte da Raize.

email raize queixa e novo preçario

 

Apesar de ter pedido encarecidamente para me responderem às 11 perguntas e não se limitarem a oferecer uma resposta-padrão, que só mostra desrespeito, a Raize optou pela segunda forma.

Responderam-me menos de 24 horas depois, mas o e-mail não esclarece praticamente nada do que eu pedi.

Fiquei muito insatisfeito e como quero honrar a comunidade dos Investimentos Lucrativos que me pediu ajuda, resolvi encaminhar e-mail para a CMVM e para o Banco de Portugal.

Estou à espera da resposta deles e assim que tiver coloco aqui.

 

6. O futuro do meu investimento na Raize

Pessoalmente, continuo a acreditar no projeto.

Gosto da Raize, gosto da oportunidade de investir em Pequenas e Médias Empresas portuguesas.

É uma forma que temos de ajudar os pequenos empresários a crescer.

Gosto do facto de ser regulada e de estar cotada em Bolsa, pelo que tem de apresentar contas públicas. Isto dá muita segurança aos investidores, pois torna a empresa transparente.

O que vou então fazer depois desta nova taxa de 12% sobre os meus rendimentos?

Nada!

É isso mesmo.

Vou deixar os investimentos correr até ao final do seu período, mas também não vou colocar mais dinheiro na Raize por enquanto.

Estou à espera de mais esclarecimentos por parte da empresa e das autoridades reguladoras.

Assim que tiver mais dados, logo vejo se altero o meu comportamento.

Para já, vou manter os investimentos que tenho e sujeitar-me ao pagamento extra de 12%.

Verdade seja dita, continua a ser a melhor plataforma de investimento coletivo que conheço: transparente, portuguesa, regulada, com boas rentabilidades face à concorrência.

Se vir que a situação piora gravemente no futuro, virei aqui dar a cara com a minha nova posição.

Caso a debandada de investidores se revele uma boa oportunidade para aumentar a minha rentabilidade na Raize, então entrarei com mais dinheiro.

 

E tu, tens investimentos na Raize? O que tencionas fazer? Vais retirar todo o teu dinheiro da plataforma, ou vais continuar a investir na Raize?

 

Saudações lucrativas,

Frederico

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