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Noutro artigo vimos como um Exchange Traded Fund (ETF) é um fundo de gestão passiva que replica um índice que tem por detrás um dado ativo. E que isso oferece uma ótima alternativa de investimento para quem não tem muito tempo para investigar ações de forma individual, e para quem quer pagar baixas comissões.

Vamos agora ver exatamente que parâmetros é que precisamos de ter em atenção quando estamos a considerar um dado ETF para o nosso investimento.

Neste artigo falar sobre:

  • A importância de ver exatamente o que o ETF está a replicar
  • O código ISIN e o Ticker Symbol
  • O fornecedor do ETF
  • O país de domicílio
  • A data de criação do ETF
  • O volume de negociação
  • O TER – Total Expense Ratio
  • A fiscalidade
  • Onde podemos encontrar informação sobre o ETF
  • Os websites onde explorar ETFs

 

E ainda um bónus:

  • Bónus: atenção aos ETFs sintéticos!

 

 

1. O que está o ETF a replicar?

Em primeiro lugar é preciso saber exatamente o que é que o ETF está a replicar. Está a replicar um índice de ações, um de obrigações, ou um de mercadorias como o ouro (Gold ETF)? Ou está a replicar outros ativos financeiros?

Mesmo quando nós sabemos que está a replicar ações, temos de perceber exatamente que ações estão no cabaz desse ETF.

Por exemplo, ao olharmos para o ETF iShares MSCI World que te apresento na figura abaixo, poderíamos pensar que ele está com exposição às economias de todo o mundo.

Mas será mesmo assim? Apesar de dizer que replica o comportamento de ações de todo o mundo, isto não é bem assim.

Na verdade, as primeiras 7 ações (que ocupam 13,73% do) são dos Estados Unidos da América. Se percorremos as 15 empresas que constituem a maior fatia do ETF (e que representa 18,48% do índice), 14 dessas 15 empresas estão sediadas nos Estados Unidos. Apenas uma (a Nestlé) está sediada na Suíça.

Mesmo quando olhamos para o número total de empresas que estão no ETF (são 1609 empresas) vemos que mais de 50% negoceia nas Bolsas dos Estados Unidos da América, 18% das empresas nas Bolsas do Japão, e 7% na Bolsa do Reino Unido.

Por isso a pergunta aqui é: estaremos a investir na economia global ou estamos a concentrar o nosso investimento nos Estados Unidos?

Se nos queremos expor à economia global, precisamos de procurar ETFs verdadeiramente mundiais.

 

 

2. Código ISIN e Ticker Symbol

Devemos prestar atenção ao código ISIN, um código semelhante ao nosso bilhete de identidade. Este é um código único, irrepetível.

Mesmo que o ETF seja negociado em diferentes Bolsas, o código ISIN é único. Se vires um ETF a ser negociado nos EUA e na Alemanha, vais reparar que o código ISIN é o mesmo.

Pelo contrário, o Ticker Symbol é um código que simboliza a Bolsa onde o ETF está a ser negociado.

Assim, este é diferente de Bolsa para Bolsa. Na imagem acima podes ver que nas 6 bolsas onde o ETF é negociado, o Ticker Symbol é diferente (e o código ISIN é igual para todas elas).

 

 

3. Quem fornece o ETF

Importa também perceber quem é que providencia o ETF.

Em princípio queremos as entidades maiores e mais reguladas. Aquelas entidades que são mais credíveis no mercado. Entidades como a Vanguard, a Blackrock, ou a Amundi. Estas entidades são muito sólidas, altamente credíveis. São altamente reguladas e isso oferece-nos muita confiança.

 

 

4. País de domicílio

Depois também importa ver o país de domiciliação.

Onde é que o ETF está a ser negociado? É na Irlanda? É na Alemanha? É nos EUA?

 

 

5. Data de criação

É preciso vermos a data de criação (Date of Inception, em inglês).

Quanto mais antigo for o ETF, em princípio tanto melhor. Isto porque dá-te uma ideia melhor de qual é a sua performance. Dá-te uma ideia melhor de como tem vindo a replicar o índice subjacente e como se tem vindo a comportar em termos de rentabilidade ao longo dos anos.

Quanto maior for o horizonte temporal de disponibilidade de dados, melhor.

Atenção: não quero com isto dizer que um ETF criado há cinco anos não seja tão bom quanto um com 20 anos de existência. Mas considero que um ETF que tenha sido criado no fim dos anos 90 ou no início dos anos 2000 oferece mais informação, mais segurança.

 

 

6. Volume de negociação

Ver também o volume de negociação.

Queremos sobretudo ETFs que tenham elevados volumes de negociação, que tenham muita liquidez.

Todos os dias há milhares de posições a serem trocadas de mãos. Num ETF com muita liquidez, há milhões de posições a serem transacionadas. Pelo contrário, num ETF com reduzido volume (que são mais ilíquidos) não há tanta gente a trocar posições de mãos todos os dias.

É preciso perceber se faz sentido para a nossa estratégia de investimento termos um ETF em carteira mais líquido ou um ETF menos líquido.

 

 

7. TER – Total Expense Ratio

Prestar atenção ao Total Expense Ratio (TER).

Este é o custo total do ETF. É o custo real que está por detrás da manutenção do fundo.

Atenção: há corretoras e bancos de investimentos que oferecem certos ETFs a preços muito baixos, com comissões muito reduzidas (por exemplo, a DEGIRO). Há até quem ofereça a negociação de certos ETFs gratuitamente. Mas oferecem comissões baixas ou gratuitas para aqueles ETFs que têm uma TER mais elevada. Acredita que ao fim de 20 anos faz muita diferença estares a pagar 0,07% de comissões ou pagares 0,2% ao ano. Vê o exemplo em baixo. Cuidado com as comissões gratuitas!

8. Fiscalidade

Em termos de fiscalidade, os impostos a pagar são do mesmo valor que nas ações o noutro ativo financeiro qualquer. Em Portugal o imposto sobre as mais-valias é de 28%.

Claro que quanto menos negociares, em princípio tanto melhor para ti! Quanto menos vendas fizeres, melhor. Porque permites que os juros se vão acumulando cada vez mais. Permites o efeito de capitalização.

 

 

9. Onde ver a informação completa (Prospetos e Fact Sheets)

Podes ver toda esta informação referente aos ETFs nos prospetos do próprio fundo.

Eu sei que quase ninguém quer ler 300 páginas com letras pequeninas. É bastante aborrecido! Mas é lá que está toda a informação detalhada do ETF: onde é que ele está a sediado; qual é o volume de transações; quais são as principais empresas que constituem o índice; quais são os custos; etc., etc.

E se não te queres dar ao trabalho de ler 200 ou 300 páginas para compreender um ETF (eu percebo-te!), pelo menos lê a Fact Sheet. Esta é uma folha informativa que normalmente tem três ou quatro páginas de informação. Aqui poderás encontrar a data de criação do ETF, que ativos está a replicar, as top-holdings, o volume de negociação, a rentabilidade nos últimos anos, etc.

 

 

10. Informação agregada sobre ETFs

Podemos encontrar a informação agregada sobre ETFs em justetf.com, etfdb.com, e em morningstar.com.

São bases de dados poderosas, com milhares de ETFs para explorar.

 

 

 

Bónus: ATENÇÃO AOS ETFs sintéticos

Pouca gente se preocupa com este tema. Mas para mim é dos mais importantes a considerar num ETF. Pelo menos se gostas de dormir descansadamente.

Há ETFs físicos e ETFs sintéticos. Gosto mais dos ETFs físicos e por um bom motivo.

Um ETF físico tem na sua composição os ativos que replica. Ou seja, se diz que é um ETF de ações, tem ações no seu cabaz.

Já um ETF sintético pode não ter os ativos que replica, mas sim derivativos. É frequente ver produtos estruturados, de elevada complexidade e perigo acrescido para os investidores. Por exemplo, o ETF United States Oil Fund LP (USO) está ligado ao petróleo, mas na sua composição estão contratos de futuro sobre o petróleo. O ETF não replica o índice ligado ao petróleo, mas antes tem contratos de futuros sobre o petróleo. Esta é uma das razões pelas quais o ETF ainda não parou de derreter…

Cuidado com os ETFs sintéticos!

Escolher ETFs físicos!

 

 

 

Estes são os parâmetros a ter em atenção quando estamos a escolher um ETF para investir.

Espero que este Guia te tenha sido extremamente útil.

Comenta aqui em baixo se estás a pensar investir num ETF. E se sim, qual. Eu gostaria muito de saber os motivos que te levam a considerar um ETF para a tua estratégia de investimento.

 

Obrigado e saudações lucrativas,

Frederico Santarém